Começar um negócio com amigos pode parecer uma excelente ideia, afinal, já existe confiança, cumplicidade e uma relação próxima. No entanto, a amizade nem sempre garante o sucesso. Muitas vezes, sem o planeamento adequado, os desafios do dia a dia do negócio acabam por afetar a relação pessoal e gerar conflitos que poderiam ser evitados.
Neste artigo, vou partilhar algumas dicas para ajudar quem quer embarcar nesta aventura de empreender com amigos, evitando os erros mais comuns e fortalecendo a parceria. Assim, o vosso sonho conjunto pode mesmo transformar-se num negócio sólido e duradouro.
1. Identificação de competências
Perguntem-se: Por que queremos começar um negócio juntos? Além do afeto, que habilidades, recursos e experiências cada pessoa traz para a mesa?
Não recomendo criar uma empresa com um parceiro que tem a mesmas competências que as suas, sem você tem conhecimento de marketing, o seu parceiro deve ter conhecimento de finanças.
Temos a tentação de procurar parceiros iguais a nós, mais isso é muito perigoso.
Portanto, ao escolher um amigo para ser o seu parceiro, procure alguém que complemente as suas habilidades.
2. Clareza de expectativas
Conversem abertamente sobre o que o negócio representa para cada um, o nível de compromisso esperado e quais as condições para sair da sociedade, se for necessário.
Esse ponto é muito importante, porque expectativas demais são muito perigosas.
Eu vivi isso: um dos meus sócios tinha grandes expectativas para a empresa, mas não dedicava tempo nem esforço. Isso gerou frustração e desgaste.
Portanto, se perceber que o seu parceiro espera muito, mas não está disposto a contribuir na mesma medida, é melhor sair dessa relação, senão vai gerir confusão no futuro.
Um dos maiores motivos de conflitos entre sócios está no contrato social mal elaborado ou cheio de ambiguidades. Não se esqueça: amizade e confiança são fundamentais, mas o contrato é essencial para proteger todos.
Não vou me alongar aqui, porque já escrevi um artigo completo sobre o contrato social. Mas o conselho é: sejam claros, detalhados e consultem um advogado para evitar surpresas desagradáveis.
Veja aqui: Contrato de sociedade: quais são as cláusulas que não podem faltar?
4. Saiba quando parar
Defina quais comportamentos seriam inaceitáveis, tanto na amizade quanto nos negócios. Estabeleça limites claros.
Um amigo é uma família escolhida, um aliado no propósito da vida.
O empreendedorismo conjunto pode ser uma maneira poderosa de compartilhar visão e construir legado. Mas carinho e confiança não substituem o contrato.
Portanto, se perceber que a relação está a desgastar-se por causa do negócio, existem duas opções: remover o sócio ou sair do negócio. Mas antes, sente-se e explique a situação com calma e transparência.
No meu caso, foi alertado por uma amiga que é advogada de que devia remover o meu amigo como socio o mais cedo possível, porque no futuro daria um grande problema.
Eu sabia que o meu estava engajado no negócio, mas tinha medo de estragar a nossa relação.
Mas no fim tive coragem e ele percebeu que devia sair porque não esta alinhado com a empresa.
Conclusão
Já diz o Velho ditado “família a parte, negócio a parte”
Espero que este artigo lhe seja útil. Antes de terminar, recomendo que leia este artigo Erros mais comuns ao começar um negócio, é sobre os erros que cometi ao criar a minha empresa.
Tem lições valiosas que o vão ajudar a evitar os mesmos tropeços.
Boa sorte no seu negócio!




